sexta-feira, 16 de maio de 2008

Perfil do professor do século XXI

Antes de começar a falar sobre o perfil que imaginamos adequado ao professor do século XXI, recorramos a etimologia.
A palavra profissão, do latim professione, declinação de professio, declaração pública, era usada quando, por exemplo, concluía-se a preparação para ingressar em determinada ordem religiosa. Nesses casos fazia-se uma declaração pública, demonstrando a sociedade que aquela pessoa estava apta a exercer determinada atividade.
Talvez venha daí a idéia de que o professor seja um sacerdote, que não precise ser remunerado de maneira justa e condizente ao seu nível universitário, ou de que ele deve estar disponível à escola a qualquer hora do dia. Contudo a idéia que deve prevalecer ao estudarmos etimologicamente o termo “profissão” não é a origem religiosa, mas o fato de que a profissão era, antes de tudo, uma conseqüência da preparação que antecedia esta. Isso nos dá o primeiro pilar do conceito moderno de profissão, o de que uma profissão deve fundamentar-se em um conhecimento especializado.
O conhecimento de um professor deve ser teórico e prático. Ele deve estar sempre preparado para responder sobre o porquê de determinada matéria ou atividade. O professor que não domina as bases teóricas de sua profissão irá, como diz Emilia Ferreiro, se desprofissionalizar.
Imaginemos um exemplo retirado da construção civil. Quando se edifica uma casa contrata-se um engenheiro que irá fazer o projeto elétrico da obra. Depois um eletricista, para executar o projeto. Por fim o dono da casa, quando queimar uma lâmpada, poderá trocá-la sem correr nenhum risco.
Temos três níveis: o primeiro abrange a teoria, mas pressupõe o conhecimento prático; o segundo necessitará apenas da prática; o terceiro nível será usual, para o qual não serão necessários conhecimentos específicos de engenharia elétrica. Há professores que se enquadram no primeiro ou no segundo níveis, quero acreditar que não exista professor no nível usual de sua ciência. Quando o professor dispõe-se a dominar a teoria de sua área de formação está, não apenas executando idéias de outros, mas reconstruindo saberes. Embora seu “projeto” possa assemelhar-se ao de um colega, não é uma cópia, mas uma releitura. Contudo se limitar-se a simples reprodução do conhecimento, se trabalhar apenas o que o livro didático lhe pede estará no segundo nível.
O professor deve ser um profissional no sentido pleno da palavra. Essa é a primeira característica exigida dele neste início de século.

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