quarta-feira, 7 de maio de 2008

Reforma da Língua Portuguesa

Hoje, durante o trajeto, fiquei pensando no grande alvoroço que a futura reforma ortográfica da língua portuguesa já está causando. Certamente essa reforma irá movimentar muito o mercado editorial, mas não como está sendo anunciado, com a suposta uniformização, mas com a publicação de dicionários, livros didáticos, manuais de concurso e congêneres. Então resolvi lembrar-vos alguns pontos, no texto abaixo.

Mudanças da Língua Portuguesa

Para muitos a idéia de ter a ortografia modificada é bastante estranha, contudo àqueles que viveram as mudanças de 1971 ou que estudam a língua portuguesa o anúncio de uma reforma já era esperado. Muitos autores dedicaram-se a analisar a atual estruturação de nossa língua e propor mudanças, como por exemplo Mário Perini, sírio Possenti e Marcos Bagno, para citar os mais recentes. Contudo entendo que a reforma almejada por esses autores ia muito além da que ocorrerá, já que almejavam uma reorganização motivada por causas lingüísticas e não comerciais, como as que estão ocorrendo.
A história de nossa ortografia pode ser dividida em três períodos: o Fonético (dos primeiros textos em português ao século XVI), o Pseudo-etimológico (do século XVI até 1904) e o Simplificado (de 1904 aos nossos dias).
No atual período valoriza-se a economia lingüística, o que seria natural, se observarmos diacronicamente a língua, contudo tem-se levado à ortografia essa simplificação, o que, alguns, consideram nocivo ao patrimônio lingüístico da lusofonia.
Deixemos os juízos valorativos para ambientes mais propícios e vejamos o que muda com a reforma da língua portuguesa:

HÍFEN

Não se usará mais:1. quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em "antirreligioso", "antissemita", "contrarregra", "infrassom". Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r -ou seja, "hiper-", "inter-" e "super-"- como em "hiper-requintado", "inter-resistente" e "super-revista"2. quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: "extraescolar", "aeroespacial", "autoestrada".

TREMA

Deixará de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivados.

ACENTO DIFERENCIAL

Não se usará mais para diferenciar:1. "pára" (flexão do verbo parar) de "para" (preposição)2. "péla" (flexão do verbo pelar) de "pela" (combinação da preposição com o artigo)3. "pólo" (substantivo) de "polo" (combinação antiga e popular de "por" e "lo")4. "pélo" (flexão do verbo pelar), "pêlo" (substantivo) e "pelo" (combinação da preposição com o artigo)5. "pêra" (substantivo - fruta), "péra" (substantivo arcaico - pedra) e "pera" (preposição arcaica).

ALFABETO

Passará a ter 26 letras, ao incorporar as letras "k", "w" e "y".

ACENTO CIRCUNFLEXO

Não se usará mais:1. nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver" e seus derivados. A grafia correta será "creem", "deem", "leem" e "veem"2. em palavras terminados em hiato "oo", como "enjôo" ou "vôo" -que se tornam "enjoo" e "voo".

ACENTO AGUDO

Não se usará mais:1. nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia"2. nas palavras paroxítonas, com "i" e "u" tônicos, quando precedidos de ditongo. Exemplos: "feiúra" e "baiúca" passam a ser grafadas "feiura" e "baiuca"3. nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com "u" tônico precedido de "g" ou "q" e seguido de "e" ou "i". Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar), apazigúe (apaziguar) e argúem (arg(ü/u)ir), passam a ser grafadas averigue, apazigue, arguem.

GRAFIA

No português lusitano:1. desaparecerão o "c" e o "p" de palavras em que essas letras não são pronunciadas, como "acção", "acto", "adopção", "óptimo" -que se tornam "ação", "ato", "adoção" e "ótimo"2. será eliminado o "h" de palavras como "herva" e "húmido", que serão grafadas como no Brasil -"erva" e "úmido".

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