quarta-feira, 30 de julho de 2008

Estupidez Humana

Salvatore D’onófrio, professor ítalo-brasileiro, afirma que, infelizmente, nossa sociedade cresceu em conhecimento, mas sua sabedoria não seguiu a proporcionalidade, e isso é uma das mais incontestáveis verdades.
Dia após dia ouvimos de novas descobertas científicas, de invenções que prometem levar a humanidade a uma nova era tecnológica. Imaginamos que a sociedade irá ser beneficiada, diz-se de milhões que serão assistidos, contudo nada muda, e a tal nova descoberta transforma-se em artigo de luxo ou em armamento, principalmente se for da área químico-biológica.
Vivemos em um mundo onde milhões de pessoas vivem com fome e sede e outras tantas carecem de perspectivas, enquanto pouquíssimas desfrutam de qualidade de vida e prazeres que para aqueles seriam um sonho. É o reino da estupidez humana.
Não conseguimos entender que a simplicidade pode nos oferecer muito mias que o requinte. Não aceitamos que para termos paz não precisamos construir presídios e investir em policiamento, mas dar aos que carecem a riqueza de nossos países, e os países que não têm dinheiro devem, antes de mais nada, serem tratados com equidade, pois nossas diferenças são nossa maior riqueza.
As pessoas estão cada vez mais medíocres. A mediocridade permeia nossas programações televisivas e nossa literatura. Manifestações decadentes de uma sociedade decadente é encarada como cultura, o último suspiro de saber é encarado como filosofia. Estamos com o leme quebrado no meio de uma tempestade.
Nossa esperança não pode desvanecer. Não podemos entregar-nos ao desespero, entretanto nessa luta, os fortes são os mais fracos de todos, presos, como Narciso, a sua própria imagem, a suas paixões egocêntricas inférteis e corruptas, retratadas em leis ignóbeis.

“Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus, Se eu deliro... ou se é verdade Tanto horror perante os céus?!... Ó mar, por que não apagas Co'a esponja de tuas vagas Do teu manto este borrão? Astros! noites! tempestades! Rolai das imensidades! Varrei os mares, tufão!..."

Castro Alves

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