terça-feira, 21 de outubro de 2008

Metáfora pobre, mas pertinente.

Muito se está falando sobre um pacto pela educação. A palavra pacto fez-me lembrar guerra, não sei porque, e nem estou muito interessado em descobrir, o que importa é que em uma guerra a frustração acompanha cada esforço. A sensação de derrota vem ao lado de cada embate e durante os dias que se passam parece que as trincheiras se enchem de ratos e sangue. Em particular acho essa metáfora pobre, mas infelizmente não é de todo infundada, então continuemos um pouco mais com ela.
Se a educação brasileira é uma guerra, o mais cruel nela é que parece não haver inimigos, todos estão do mesmo lado, contudo não conseguimos avançar. Continuamos entrincheirados, como se os duzentos dias letivos fossem um sítio à ignorância e a exclusão. Uma vez ou outra aparecem no fronte os generais. Prometem reforços, dizem que mandarão a artilharia, mas quando finalmente ouve-se o retumbar dos canhões percebe-se que ela está mal posicionada, e que ao invés de liderar as já esfarrapadas fileiras à vitória, destroem-nas por erros de calculo.
A Primeira Grande Guerra provou que lutar nas trincheiras pode ser muito mais letal que rifles ou baionetas, nelas o lamento dos feridos contamina cada soldado e o sangue polui o ar e a terra. Depois de algum tempo, muitos não distinguem mais entre amigos e inimigos, culpam uns aos outros pelas derrotas, e acumulam sobre si uma interminável lista de estratégias e projetos fracassados.
Sabemos que guerras não trazem benefícios a ninguém, nem mesmo aos vencedores. Elas geram dor e a destruição que provocam é grande demais para esconder. Não gosto de pensar que educar seja guerrear, não quero que as novas gerações de brasileiros cresçam em lei marcial. Então, espero, sinceramente, que em breve eu possa descartar essa infame metáfora por, talvez, uma mais infantil, o que me parecerá bem mais apropriado.

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